Escalei Contábil — Contabilidade para E-commerce e Lucro Real em São Paulo
Escalei.contábil
Marketplaces

CFOP em marketplaces: o guia completo

18/02/2026 · 7 min · por Lucas Araújo de Oliveira — CRC 1SP282895/O-5
CFOP em marketplaces: o guia completo

CFOP — Código Fiscal de Operações e Prestações — é o número de quatro dígitos que identifica, em toda NF, a natureza da operação: venda, devolução, remessa para armazém, transferência, importação. Em e-commerce e marketplaces, escolher o CFOP errado é o atalho mais curto para autuação, porque o cruzamento Sefaz × Receita usa o CFOP como chave de validação de toda a escrituração fiscal.

Este guia consolida os CFOPs mais usados no e-commerce brasileiro, com a regra de uso, exemplos práticos e uma tabela rápida de consulta organizada por cenário operacional.

O que é CFOP e por que o código errado gera autuação

O CFOP foi instituído pelo Convênio S/Nº de 1970 e atualizado pelo Ajuste SINIEF 07/2001. É de uso obrigatório em toda NF-e, NFC-e e CT-e. A estrutura é simples: o primeiro dígito indica o tipo de operação e o destino/origem geográfica.

  • 1.xxx — entrada de dentro do estado
  • 2.xxx — entrada de fora do estado
  • 3.xxx — entrada do exterior (importação)
  • 5.xxx — saída para dentro do estado
  • 6.xxx — saída para fora do estado
  • 7.xxx — saída para o exterior (exportação)

Quando o CFOP não corresponde à operação real, a EFD ICMS/IPI fica distorcida, o crédito de PIS/COFINS pode ser glosado e o cruzamento automático Sefaz × NF-e dispara malha fiscal. Multa formal por escrituração incorreta varia de 0,5% a 1% do valor da operação por documento.

CFOPs mais usados no e-commerce

CFOPOperaçãoQuando usar
5.102 / 6.102Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceirosRevenda padrão (intra/inter)
5.108 / 6.108Venda para consumidor final não contribuinteVendas B2C interestaduais
5.110 / 6.110Venda de produção do estabelecimentoIndústria que produz e vende online
5.405 / 6.404Venda de mercadoria sujeita a ST já recolhidaMercadoria com ST destacada na entrada
5.934 / 6.934Remessa simbólica para armazém-geralEnvio para Full/FBA
5.949 / 6.949Outras saídasBrindes, amostras — uso residual
1.202 / 2.202Devolução de vendaCliente devolve a mercadoria
1.411 / 2.411Devolução de venda com STDevolução de produto com ST destacada

Intra-UF, inter-UF ou exterior: como determinar

A regra é geográfica — o que muda é a UF do destinatário (saída) ou do remetente (entrada): mesma UF → 5.xxx/1.xxx; UF diferente → 6.xxx/2.xxx; exterior → 7.xxx/3.xxx.

Pegadinha frequente: em remessa para armazém-geral (Full/FBA), a UF que importa é a do armazém, não a do consumidor final. Se o seller paulista envia estoque para CD da Amazon em SP, o CFOP é 5.934; para CD em outro estado, 6.934.

Marketplace: CFOP 6.108 ou 6.102?

Dúvida campeã. Ambos são saídas interestaduais — mas 6.102 é a venda padrão de mercadoria adquirida para revenda, enquanto 6.108 é especificamente a venda destinada a consumidor final não contribuinte do imposto.

Para marketplace que vende a pessoa física, o CFOP tecnicamente correto é 6.108, porque carrega a informação fiscal de que o destinatário é não contribuinte — o que justifica o DIFAL e elimina cobrança de ICMS-ST no destino. Muitos ERPs ainda usam 6.102 por default e parametrizam o destino "não contribuinte" via CST/CSOSN — funciona, mas é menos preciso. Veja como apuramos isso em contabilidade para marketplaces.

Devolução pelo cliente via marketplace

Quando o cliente devolve a mercadoria, o seller deve emitir NF de entrada referenciando a NF original — CFOP 1.202 (intra) ou 2.202 (inter). Se a mercadoria tinha ST destacada na NF original, usar 1.411 / 2.411. Esse documento é o que permite estornar o débito de ICMS, PIS e COFINS lançados na venda original. Sem a NF de devolução, a empresa devolve o dinheiro ao cliente e continua pagando imposto sobre uma venda que não existiu mais.

Em Full/FBA, quando o marketplace recebe a devolução no CD, há fluxo de retorno simbólico que pode exigir CFOPs 1.934/2.934 antes do 1.202/2.202 da devolução propriamente dita. Parametrização exige integração ERP × marketplace.

Tabela rápida de consulta por cenário

CenárioCFOP
Venda em loja própria, comprador em SP (seller SP)5.102
Venda em loja própria, comprador em MG (seller SP)6.108
Venda via marketplace, comprador no RJ (seller SP)6.108
Remessa para Mercado Envios Full em SP (seller SP)5.934
Remessa para FBA em CE (seller SP)6.934
Cliente devolve mercadoria de SP (seller SP)1.202
Cliente devolve mercadoria do RS (seller SP)2.202
Venda de produto sujeito a ST, intra-UF5.405
Exportação direta para cliente nos EUA7.102

Erros mais comuns na parametrização de CFOP

  • Usar 5.102/6.102 para revenda de produto com ST já recolhida. O correto é 5.405/6.404. Quando o CFOP é genérico, a EFD ICMS/IPI registra débito de ICMS próprio sobre operação que não deveria gerar débito — e a Sefaz cruza o CST 60 (ST retido) com CFOP 5.102 e identifica a inconsistência. Multa formal e risco de cobrança de ICMS em duplicidade.
  • Tratar remessa para Full/FBA como venda. O envio para o CD do marketplace é remessa simbólica para armazém-geral — CFOP 5.934/6.934, sem incidência de ICMS próprio. Emitir como venda (5.102/6.102) antecipa débito sobre operação que ainda não ocorreu e distorce o estoque contábil.
  • Esquecer a NF de devolução com CFOP 1.202/2.202. Sem o documento de entrada que estorna a venda original, a empresa continua tributada sobre uma receita que não recebeu — IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e ICMS cumulativos sobre venda inexistente.
  • Aplicar CFOP de venda intra-UF para cliente de outro estado. Erro típico de ERP sem regra por UF de destino. Distorce DIFAL, ICMS próprio e cruzamento com GNRE — passivo silencioso que só aparece em auditoria.

Como a Escalei Contábil pode ajudar

Em contabilidade para marketplaces, o trabalho começa pela auditoria da matriz de CFOPs do ERP. Mapeamos cada combinação canal × tipo de operação × UF de destino, parametrizamos o sistema para emitir o CFOP correto automaticamente e fazemos batimento mensal CFOP × CST × destino antes da transmissão da EFD ICMS/IPI.

Quer revisar sua parametrização? Fale com a Escalei.

CFOP é técnica pura — existe regra clara para cada operação e o ERP precisa estar parametrizado para aplicá-la sem intervenção manual. Operação que depende de operador escolher CFOP no olho é operação que está acumulando passivo silencioso.

Aprofunde no tema

Páginas relacionadas para colocar isso em prática

Conteúdo técnico não basta — o que muda imposto é estrutura fiscal. Veja como aplicamos:

Pronto para parar de pagar imposto demais?

Diagnóstico fiscal gratuito e sem compromisso.