Tributação

CEST no e-commerce: o que é e quando deve ser usado

Publicado em 24/08/2026 · Atualizado em 05/10/2026 · 7 min · por — CRC 1SP282895/O-5
Escritório de Contabilidade Escalei Contábil · Revisado por Emilio Rossi, Contador CRC SP 1SP228040/O-9
Filtro automotivo e ficha de fornecedor conferidos no cadastro de produtos.
Resumo

Resposta objetiva: o CEST (Código Especificador da Substituição Tributária) identifica mercadorias que podem estar submetidas ao regime de ICMS-ST. Quando o item se enquadra, o código deve constar no documento fiscal — mesmo em operações em que a substituição não se aplique naquela venda específica.

Ele anda junto do NCM e da descrição do produto: é a combinação dos três que permite avaliar o tratamento correto.

Muita loja descobre o CEST do jeito difícil: a nota é rejeitada, o pedido atrasa e alguém preenche qualquer coisa para destravar o envio. O campo volta a ficar em silêncio — e o problema, não.

O que é o CEST?

Resposta objetiva: é um código padronizado que especifica a mercadoria dentro da relação de itens passíveis de substituição tributária, com o objetivo de uniformizar o tratamento entre as unidades da federação.

Ele não cria imposto novo. Serve para identificar o item de forma padronizada, reduzindo a ambiguidade que existia quando a análise dependia apenas da descrição comercial.

Qual a relação com o NCM?

Resposta objetiva: o CEST é vinculado ao NCM e à descrição da mercadoria. Primeiro se classifica corretamente o produto; depois se verifica se existe CEST correspondente àquela classificação e descrição.

Por isso a ordem importa: NCM errado leva a CEST errado, que leva a tratamento tributário errado. O ponto de partida está em NCM no e-commerce.

Quando o CEST precisa constar na nota?

Resposta objetiva: quando a mercadoria está entre as relacionadas como passíveis de substituição tributária, o código deve ser informado no documento fiscal, ainda que a operação em questão não esteja sujeita à retenção do imposto.

Ou seja: a presença do CEST na nota não é sinônimo de ICMS-ST devido naquela venda. São coisas distintas, e confundi-las gera tanto imposto pago indevidamente quanto imposto deixado de recolher.

Erros comuns de parametrização

Resposta objetiva: copiar o CEST de um produto semelhante, preencher o campo apenas para a nota ser aceita, deixar o código fixo depois de mudar de fornecedor ou de composição do produto, e tratar CEST preenchido como prova de que a operação tem ST.

No ERP, o campo costuma ficar no cadastro do item — e cadastro raramente é revisitado. Vale incluir CEST e NCM na revisão periódica do catálogo, especialmente quando o mix muda. Se a emissão é via ERP, veja configuração fiscal do Bling e do Tiny.

Como isso aparece no dia a dia do e-commerce

Resposta objetiva: em rejeição de NF-e, em divergência entre a nota de entrada e a de saída, e em vendas interestaduais nas quais o tratamento do produto muda conforme as UFs envolvidas.

Quando a mercadoria pode estar sujeita à substituição, o desdobramento prático está em como funciona o ICMS-ST e, para vendas fora do estado, em operações interestaduais no e-commerce.

De onde vem o CEST e como o código é formado

Resposta objetiva: o CEST nasceu no Convênio ICMS 92/2015 do CONFAZ e hoje é disciplinado pelo Convênio ICMS 142/2018, em vigor desde 1º de janeiro de 2019, que revogou o Convênio ICMS 52/2017 — este último teve cláusulas suspensas por liminar do STF na ADI 5866, relatada pelo ministro Alexandre de Moraes.

São sete dígitos: os dois primeiros indicam o segmento da mercadoria (01 é autopeças), do terceiro ao quinto vem o item dentro do segmento e os dois últimos, a especificação. Os segmentos estão no Anexo I do convênio; os bens e mercadorias, nos Anexos II a XXVI. O regime em si vem do art. 150, § 7º, da Constituição e do art. 6º da Lei Complementar nº 87/1996, a Lei Kandir.

Onde o CEST aparece nos arquivos fiscais

Resposta objetiva: na NF-e modelo 55, instituída pelo Ajuste SINIEF 07/2005, o código vai no campo CEST do grupo do produto; na EFD ICMS/IPI, ele fica no cadastro de itens do registro 0200.

Ao lado dele viajam campos que precisam contar a mesma história: CST 60 — ou CSOSN 500, no Simples Nacional — para mercadoria com imposto já retido, e CFOP 5.405 na venda interna como substituído, 6.404 na interestadual.

Quem deve informar o CEST, inclusive no Simples Nacional

Resposta objetiva: o ICMS-ST ficou fora do recolhimento unificado do DAS pelo art. 13, § 1º, XIII, "a", da Lei Complementar nº 123/2006, e a Resolução CGSN nº 140/2018 disciplina a segregação dessas receitas no PGDAS-D.

Em São Paulo, quem confere o que foi retido a mais segue a Portaria CAT 42/2018 da SEFAZ-SP — o roteiro está em como pedir ressarcimento de ICMS-ST.

Perguntas frequentes

Todo produto tem CEST? Não. Apenas os que constam na relação de mercadorias passíveis de substituição tributária.

Se o produto tem CEST, a venda sempre terá ICMS-ST? Não. A sujeição depende da operação, das UFs envolvidas, do destinatário e da legislação aplicável.

Posso deixar o campo em branco? Quando o item exige, a ausência tende a gerar rejeição ou inconsistência na escrituração.

Quem define o CEST do meu produto? A definição acompanha a classificação da mercadoria, que é responsabilidade de quem a cadastra. Nós orientamos e sinalizamos risco.

Próximo passo

Se a sua loja emite nota com CEST preenchido "no automático", vale revisar o catálogo. Fale com a Escalei ou veja como conduzimos a rotina fiscal em contabilidade para e-commerce.

Transparência editorial

Bases de consulta

Conteúdo de caráter informativo, revisado por profissional contábil. Não substitui a análise do caso concreto e está sujeito a alteração na legislação — cada empresa exige análise específica. Antes de decidir, consulte um contador e valide a regra aplicável ao seu CNPJ e estado. Como o conteúdo é escrito, revisado e corrigido está na política editorial.

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