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Financeiro

Ficha de custo na confecção: tecido, aviamento e facção

Publicado em 12/10/2026 · Atualizado em 12/10/2026 · 7 min · por — CRC 1SP282895/O-5
Escritório de Contabilidade Escalei Contábil · Revisado por Emilio Rossi, Contador CRC SP 1SP228040/O-9

A ficha de custo é a lista de tudo o que a empresa gasta para deixar uma peça pronta para a venda: tecido, aviamentos, corte, costura na facção, transporte entre o corte e a oficina, embalagem e a parte das peças que saem com defeito. Ela é feita por modelo e termina em um número, o custo por peça boa. É esse número que entra na formação do preço. Quando ele é estimado de cabeça, o erro costuma estar no consumo de tecido e nas peças de segunda.

O que entra na ficha de custo de uma peça

GrupoO que registrarComo medir
TecidoConsumo por peça, com as perdas do corteMetro ou quilo
AviamentosZíper, botão, linha, elástico, etiquetasQuantidade por peça
CorteMão de obra e risco, quando o corte é internoValor por peça
FacçãoPreço combinado por peça costuradaValor por peça
TransporteIda do corte e volta das peças prontasValor por lote
Acabamento e embalagemPassadoria, tag, sacoValor por peça
PerdasPeças de segunda e peças perdidasPercentual do lote
DesenvolvimentoModelagem e peça-pilotoValor por modelo

Aluguel, salários do escritório e mídia ficam fora da ficha. São despesas da empresa inteira e entram no preço em outra etapa.

Tecido: vale o consumo do rolo, e não o do molde

O consumo que entra na ficha é o tecido que saiu do estoque dividido pelas peças cortadas. O consumo medido no molde é menor, porque deixa de fora o espaço entre as partes no encaixe, as pontas de rolo e os trechos com defeito.

A forma mais simples de medir é pelo enfesto: metros estendidos na mesa, divididos pelo número de peças que o risco rendeu. Quem compra malha por quilo faz a mesma conta em quilos. Depois de dois ou três cortes do mesmo modelo, a empresa tem um consumo real para usar no lugar da estimativa.

A grade também pesa. Uma peça G consome mais tecido que uma P, e a ficha usa o consumo médio do lote na proporção de tamanhos que foi cortada. Se a proporção mudar muito de um corte para outro, o custo médio muda junto.

O preço do tecido que entra na conta é o da compra, com o frete. O tratamento dos impostos pagos nessa compra depende do regime da empresa e é definido com a contabilidade.

Aviamentos e embalagem, item por item

Aviamento barato some da conta quando é lançado como um valor redondo por peça. A ficha lista cada um com a quantidade usada e o preço unitário da última compra.

  • Linha e fio. Comprados em cone e usados em vários modelos. O custo por peça sai do consumo médio: cones gastos no lote divididos pelas peças.
  • Zíper, botão, elástico, ilhós. Quantidade exata por peça, mais a quebra na aplicação.
  • Etiquetas. A de marca, a de composição e a de tamanho.
  • Tag e saco. O que acompanha a peça até o cliente. A caixa de envio do pedido fica com os custos de venda.

Quando a facção fornece a linha, o valor já está no preço da costura e sai desta lista.

Facção: o preço por peça e o que ele deixa de fora

A facção cobra por peça costurada, e o preço varia com a dificuldade do modelo e com o tamanho do lote. Esse valor entra inteiro na ficha. Em volta dele há custos que a oficina não cobra e que a marca paga do mesmo jeito:

  • Transporte. Levar o corte e buscar as peças prontas. O valor da viagem é dividido pelas peças do lote.
  • Conferência na volta. Contar, revisar e separar as peças de segunda toma horas de alguém da equipe.
  • Conserto. Peça que volta para refazer costura atrasa a entrega e, se o conserto for interno, tem custo.
  • Lote pequeno. Abaixo de certa quantidade, a oficina cobra mais por peça ou recusa o serviço.

Vale registrar na ficha a data e a quantidade do lote em que o preço foi combinado. Preço de facção negociado para 500 peças não vale para um corte de 80.

O envio do corte à oficina e o retorno das peças têm documentação fiscal própria, definida com a contabilidade antes da primeira remessa.

A ficha de um vestido, linha por linha

Exemplo hipotético: um vestido de tecido plano, cortado na própria empresa e costurado em facção, em um lote de 200 peças.

LinhaContaCusto por peça (R$)
Tecido1,68 m × R$ 18,0030,24
AviamentosZíper 2,20 + linha 0,60 + etiquetas 0,903,70
CorteMão de obra do corte interno1,50
FacçãoPreço combinado por peça14,00
TransporteR$ 120 ÷ 200 peças0,60
Tag e sacoPor peça1,10
Custo por peça cortada51,14

O consumo de 1,68 m é o do enfesto: 1,60 m do encaixe mais 5% de pontas e defeitos. O tecido responde por R$ 30,24 dos R$ 51,14, perto de 59% do custo. Um aumento de 10% no metro do tecido acrescenta R$ 3,02 por peça; o mesmo aumento na facção acrescenta R$ 1,40.

Peça de segunda e modelagem entram no custo da peça boa

O lote custou 200 × R$ 51,14 = R$ 10.228. Na conferência, 194 peças saíram perfeitas e 6 tiveram defeito sem conserto. Se as 6 não forem vendidas, o custo do lote é dividido pelas 194 boas:

  • R$ 10.228 ÷ 194 = R$ 52,72 por peça boa.

Os 3% de segunda acrescentaram R$ 1,58 a cada peça. Se as peças com defeito forem vendidas em um saldo, o valor recebido por elas é abatido do custo do lote antes da divisão.

Falta o desenvolvimento. A modelagem e a peça-piloto custaram R$ 600 e servem para todos os cortes do modelo. Com previsão de 600 peças boas ao longo da coleção, são R$ 1,00 por peça.

  • Custo final: R$ 52,72 + R$ 1,00 = R$ 53,72.

Quem somasse só tecido, aviamentos e facção chegaria a R$ 47,94. A diferença de R$ 5,78 por peça sairia da margem sem aparecer em relatório nenhum.

Quando refazer a ficha

  1. A cada compra de tecido com preço diferente.
  2. Quando a facção reajusta o preço ou o lote muda de tamanho.
  3. Quando o consumo medido no enfesto difere do que está na ficha.
  4. Quando o percentual de segunda de um modelo ou de uma oficina sobe.
  5. Na troca de um aviamento ou da embalagem.

Comparar a ficha com o que o lote custou de fato, depois de cada corte, mostra onde a estimativa erra. Duas oficinas com o mesmo preço por peça têm custos diferentes quando uma devolve o dobro de peças com defeito.

Perguntas frequentes

O que é ficha de custo na confecção? É o registro, por modelo, de tudo o que a empresa gasta para produzir uma peça: tecido, aviamentos, corte, facção, transporte, embalagem, perdas e desenvolvimento. O resultado é o custo por peça boa.

Como calcular o consumo de tecido por peça? Divida o tecido que saiu do estoque para o corte pelo número de peças cortadas. Esse consumo inclui o encaixe, as pontas de rolo e os defeitos, que a medida do molde deixa de fora.

O preço da facção é o custo da costura? É a maior parte dele. Somam-se o transporte do corte e das peças prontas, a conferência na volta e as peças que retornam com defeito.

Peça com defeito entra no custo? Entra. O custo do lote inteiro é dividido só pelas peças boas, e o valor obtido com a venda das peças de segunda é abatido antes da divisão.

Da ficha ao preço de venda

O custo por peça boa é o ponto de partida de como calcular o preço de venda no marketplace, que acrescenta comissão, frete, imposto e margem. O registro desse custo no estoque e a baixa a cada venda estão em CMV e controle de estoque. Confecções de Americana têm página própria na Escalei: contabilidade para e-commerce em Americana. Para a empresa que apura pelo Lucro Real, a análise da margem por modelo faz parte da consultoria de Lucro Real.

Transparência editorial

Bases de consulta

Conteúdo de caráter informativo, revisado por profissional contábil. Não substitui a análise do caso concreto e está sujeito a alteração na legislação — cada empresa exige análise específica. Antes de decidir, consulte um contador e valide a regra aplicável ao seu CNPJ e estado. Como o conteúdo é escrito, revisado e corrigido está na política editorial.

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