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Financeiro

Semijoias em consignação: controle, acerto e caixa

Publicado em 12/10/2026 · Atualizado em 12/10/2026 · 7 min · por — CRC 1SP282895/O-5
Escritório de Contabilidade Escalei Contábil · Revisado por Emilio Rossi, Contador CRC SP 1SP228040/O-9

Na consignação, a marca entrega as peças à revendedora, que paga só o que vender e devolve o restante no acerto. Até a venda, a peça continua sendo estoque da marca, guardado na casa de outra pessoa. O controle se faz com uma ficha por revendedora, uma conferência física a cada acerto e três números: quanto está fora, quanto foi vendido e quanto faltou. O efeito no caixa vem do valor que fica parado nas maletas entre um acerto e outro.

De quem é a peça que está na maleta

É da marca. A revendedora tem a posse, pode devolver o que não vendeu e só deve o valor das peças vendidas. Na contabilidade o raciocínio é o mesmo: o CPC 47, nos itens B77 e B78, diz que a entrega de um produto em consignação a um revendedor ainda não gera receita para quem entregou.

Disso saem duas consequências práticas. A remessa de uma maleta não é venda, e contá-la como faturamento do mês infla o resultado. E o estoque da empresa é a soma do que está na prateleira com o que está em poder das revendedoras, peça por peça.

A remessa e o retorno das peças têm documentação fiscal própria, que fica fora deste texto e se define com a contabilidade antes de a primeira maleta sair.

A ficha de cada revendedora

Cada revendedora tem uma conta de estoque, com a lógica de um extrato:

  • saldo de peças do acerto anterior;
  • mais as peças enviadas no período;
  • menos as peças vendidas;
  • menos as peças devolvidas;
  • igual ao saldo que deve estar com ela.

O registro é por código de peça. Maleta controlada só pelo valor total esconde a troca de uma peça cara por uma barata e impede saber quais modelos vendem. Etiqueta com código em cada peça e uma lista assinada na entrega resolvem os dois problemas.

A ficha guarda também o que foi combinado: percentual de comissão, data do próximo acerto, regra para peça faltante e para peça devolvida com defeito.

O acerto, passo a passo

  1. Contar as peças que estão na maleta, código por código.
  2. Comparar com o saldo da ficha. O que não está na maleta foi vendido ou está faltando.
  3. Calcular as vendas pelo preço de tabela, descontar a comissão e chegar ao valor a repassar.
  4. Receber o repasse no ato ou registrar a data combinada.
  5. Separar as peças com defeito para conserto ou novo banho.
  6. Repor a maleta e emitir a nova lista assinada.

Exemplo hipotético. Uma maleta sai com 60 peças de preço médio R$ 50, R$ 3.000 a preço de venda. O custo médio é de R$ 15 por peça, R$ 900 na maleta. No acerto de 30 dias, a revendedora vendeu 24 peças.

LinhaValor
Vendas (24 × R$ 50)R$ 1.200
Comissão da revendedora (30%)R$ 360
Repasse à marcaR$ 840
Custo das peças vendidas (24 × R$ 15)R$ 360
Margem da marca na maletaR$ 480

Os R$ 480 são antes dos impostos e das despesas da marca.

Quanto dinheiro fica parado nas maletas

Com 20 revendedoras e maletas como a do exemplo, a marca tem 1.200 peças fora, R$ 18.000 a preço de custo. É dinheiro que já foi pago ao fornecedor e que volta aos poucos.

Em um mês, as 20 maletas vendem 480 peças, R$ 7.200 a custo. O estoque em poder das revendedoras cobre 75 dias de venda: R$ 18.000 ÷ R$ 7.200 × 30. E o repasse de cada peça vendida só chega no acerto seguinte.

Três decisões mudam esse número:

  • Tamanho da maleta. Das 60 peças, 36 ficam sem vender no mês. Uma maleta de 45 peças, se sustentar a mesma venda, libera 15 peças por revendedora: 300 peças e R$ 4.500 no total.
  • Intervalo entre acertos. Com acerto a cada 30 dias, o repasse chega na metade do tempo de um acerto a cada 60, e a peça que falta aparece antes.
  • Composição. Repor o que vendeu e recolher o que ficou dois acertos sem sair mantém a maleta pequena e vendável.

Abrir uma revendedora nova custa uma maleta inteira antes do primeiro repasse. No exemplo, crescer de 20 para 30 revendedoras pede R$ 9.000 em peças.

Peça faltante e revendedora que não acerta

São as duas perdas do modelo, e as duas precisam estar combinadas por escrito antes da primeira entrega.

Peça faltante. Uma regra simples é tratar a peça que não voltou como vendida: a revendedora paga o preço de tabela menos a comissão. Quando a falta não é cobrada, a perda é da marca, pelo custo. Uma peça por maleta a cada acerto, no exemplo, são 20 peças e R$ 300 por mês.

Falta de acerto. A exposição a cada revendedora é a maleta inteira mais as vendas ainda não repassadas: R$ 900 de peças a custo e até R$ 840 de repasse, no exemplo. Por isso a maleta de quem começa é menor e cresce com o histórico, na mesma lógica de um limite de crédito para cliente empresarial.

Acerto atrasado é o primeiro aviso. Uma lista semanal das revendedoras com acerto vencido, com os dias de atraso e o valor da maleta, mostra onde agir enquanto as peças ainda podem ser recolhidas.

Quais revendedoras merecem maleta maior

Exemplo hipotético de três revendedoras com a mesma maleta, em um mês:

RevendedoraMaleta, a preço de vendaVendido no mêsParte da maleta vendidaPeças faltantes
AR$ 3.000R$ 1.50050%0
BR$ 3.000R$ 1.20040%1
CR$ 3.000R$ 45015%3

A revendedora A vende metade do que recebe e pode ganhar peças novas. A C mantém R$ 2.550 parados a preço de venda e ainda perde peças: a maleta dela diminui ou é recolhida. A soma das vendas de todas não mostra essa diferença, e por isso o acompanhamento é por revendedora.

Perguntas frequentes

A peça em consignação é da marca ou da revendedora? Da marca, até a venda ao cliente final. A revendedora tem a posse e deve apenas o valor das peças vendidas, descontada a comissão.

Como controlar o estoque em consignação? Com uma ficha por revendedora, registrada por código de peça: saldo anterior, mais remessas, menos vendas e devoluções. A cada acerto, a contagem física é comparada com o saldo da ficha.

De quanto em quanto tempo fazer o acerto? Quanto menor o intervalo, mais cedo o repasse entra e mais cedo aparece a peça que falta. O limite é o custo de visitar ou receber cada revendedora.

Quanto capital a consignação exige? O custo de todas as maletas em circulação. No exemplo do texto, 20 maletas de 60 peças a R$ 15 somam R$ 18.000, que cobrem 75 dias de venda.

Onde a consignação aparece no financeiro

O valor das maletas entra na conta de capital de giro como estoque, com o prazo próprio de cada acerto. A baixa das peças vendidas segue a rotina de CMV e controle de estoque. Para ter o estoque em poder de terceiros conferido no fechamento de cada mês, conheça a contabilidade para e-commerce e marketplaces da Escalei. Marcas de semijoias de Limeira têm página própria: contabilidade para e-commerce em Limeira.

Transparência editorial

Bases de consulta

Conteúdo de caráter informativo, revisado por profissional contábil. Não substitui a análise do caso concreto e está sujeito a alteração na legislação — cada empresa exige análise específica. Antes de decidir, consulte um contador e valide a regra aplicável ao seu CNPJ e estado. Como o conteúdo é escrito, revisado e corrigido está na política editorial.

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